quinta-feira, 7 de março de 2013

Assim é a vida

Uma noite estrelada qualquer, me pus a caminhar, chamei seu nome e calei-me para não incomodar, prossegui andando, sentei-me na calçada fria, logo vejo sua imagem que veio me atender, pediu desculpas pela demora, apenas sorri. Você largou seu mundo para me fazer companhia, estava amando te sentir tão perto, seu perfume fazia meu coração bater depressa, era engraçado, era tudo o que precisava naquele momento.


Te olhava nos olhos, os mais belos olhos, te desejava ardentemente, o som de sua voz me deixava tremulo, segurei sua mão, pedi um abraço e fui atendido, tremi. Era tão estranho poder segurar entre os braços todo o meu mundo, segurar meu presente e futuro. Lhe sussurrei palavras doces, desta vez foi você quem sorriu, retribuiu meu olhar e disse: "Eu te amo", apesar de estarmos a tanto tempo juntos nunca tínhamos dito essas palavra um ao outro, mesmo com a maior certeza dos nossos sentimentos. Fiquei assustado, corei e sorri, senti seu ar de desapontamento mediante minha falta de resposta, desviou o olhar e em seguida a conversa, retomei-a então dizendo: "Hey, eu também te amo, e muito", sorrimos, nos abraçamos, nos beijamos, estava frio e uma garoa fria caia sobre nós.
Caminhamos de mãos dadas por um longo tempo, sem dizer nada, somente apreciando a companhia um do outro. A vida é engraçada, nascemos e morremos sozinhos, porém para sermos felizes necessitamos de outra pessoa que fique ao nosso lado e nos compreenda. Eis o mistério de se viver.

sábado, 2 de março de 2013

Vida vazia

Trinta e dois andares tinha o prédio em que ele morava, nunca tinha subido até o último deles, essa seria a primeira vez. Chegando lá se decepcionou, era completamente vazio, caminhou pelo nada, então parou mediante ao por do sol, sentou-se a beirada do prédio e pôs-se a pensar na vida. Concluiu que aos quarenta e dois anos de idade, não tinha emprego, não tinha família e muito menos amigos, as únicas pessoas que lhe dirigiam a palavra eram o porteiro e seu vizinho, que pelo número de vezes que batia a sua porta parecia que nunca tinha açúcar. Nunca teve um gato, um cachorro, um pássaro ou até mesmo um peixinho no aquário, não tinha tempo para outra coisa que não fosse seu antigo trabalho.
Começou a trabalhar com dezoito anos, subiu de cargo cinco vezes, trabalhava oito horas e dedicava o tempo em casa a ler sobre seu emprego, se afastou dos amigos, perdeu seus entes queridos e não constituiu uma família, era totalmente sozinho e arrogante, tratava seus empregados e os demais com frieza e antipatia, mesmo assim se achava muito competente, até que seu chefe o demitiu, encontrou alguém muito mais jovem e cheio de vida para o cargo. Ele então se deprimiu, nos últimos dias as únicas coisas que tinha feito era ficar em casa, lendo o jornal e tomando café, até ter um desmaio no corredor, enquanto pegava a correspondência, no pronto atendimento ele ouvia as frases "é muito grave?", "ele tem chances?" e a que mais lhe assustava era "ele vai morrer?". Não sabia distinguir de quem era a voz, mas sabia que era dele que falavam, não entendia ao certo toda a conversa, mas se preocupava com os pequenos pedaços que ouvia. Ao acordar o médico lhe trouxe a má notícia, estava com leucemia, ficou horrorizado, chocado e sem voz, quando caiu a noite vestiu seu casaco e fugiu de volta para casa, dormiu até depois do horário do almoço, quando despertou pensava que tudo era um pesadelo, colocou-se a auto beliscar-se tentando, desesperadamente, acordar, nada aconteceu. Tentando por fim se alegrar subiu ao último andar de seu prédio coisa que nunca fizera antes, olhou o nada, viu o por do sol, pensou na vida, outra vez se deprimiu e então tomou uma decisão, acabaria com tudo, pularia lá de cima. Pensou não ter coragem, pensou em algo que fizesse-lo mudar de ideia, nada lhe veio a mente. Contaria até três e se jogaria e o fez, enquanto caia sentia o vento suave tocar seu corpo e sua vida toda passou diante dos seus olhos, fechou-os então, abraçando a morte como uma velha amiga.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Bem-vindo ao meu pesadelo

Rezo toda noite para que a vida tome um novo rumo, para que as coisas mudem, mas ao levantar da cama entro em clima de rotina, é praticamente um deja-vu que me entristece. O café amargo, o almoço sem vida, o rosto pálido no espelho, me assusto ao ver como minha vida decaiu, não acho mais o sorriso que a tanto sustentava, este se foi, se perdeu numa esquina qualquer, volta e meia faz uma visita rápida e depois some.
Quando penso que nada pior pode acontecer, o mundo desaba, o céu se fecha. As noites são sempre frias, solitárias e chuvosas por mais quentes e áridas que aos outros elas pareçam. Deito para dormir e o mesmo pesadelo me persegue, acordo banhado em suor, a rotina se inicia, o café amargo, o rosto pálido, o almoço sem vida, a música triste que toca no silêncio do meu quarto. Tento achar motivos para não por fim a própria vida, nada me vem nada a cabeça. Respiro fundo, corto os pulsos em pensamento, fumo um cigarro imaginário e vou outra vez rumo ao trabalho.
Vejo rostos sorridentes a minha volta, o que parece me deixar ainda mais infeliz, por que não sou como os outros? Por que não sorrio mais sem motivo? Lembro que já fui assim e me perdi, é difícil explicar. Pela janela do ônibus vejo a vida passar, um mundo cinza e sem alegria, iluminado por fracas lampadas em postes envelhecidos pela chuva. É a vida que se esvai pelos dedos, sem rumo e sem motivo de existir, imensurável quantidade de lágrimas lavam meu rosto, pego no sono e o pesadelo recomeça.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Tempo, tempo, tempo

Não sei, ando vivendo tempos de copo meio vazio, sempre triste gratuitamente. Aquele sorriso já não vejo faz tanto tempo que já não o reconheceria se passasse por mim nesse exato momento. As pessoas especiais se tornaram insignificantes e sumiram da minha vida o "para sempre" se dissipou e virou um "vamos marcar de sair dia desses", queria voltar no tempo, queria viver tudo outra vez, quero aquele passado onde eu sabia o que era amar e ser amado, chega de ficar sozinho, chega de rotina e, acima de tudo, chega de lágrimas.
Pelos cantos sozinho eu choro, me faço de forte, mantenho o sorriso, mergulho de cabeça num livro só para esquecer o quão miserável é a vida. Vejo filmes, o que não ajuda, tudo faz lembrar daquela época feliz que não volta, das pessoas que se foram ou somente se esqueceram de mim, sei que por vezes fiz merecer, entretanto, não prometa a sua amizade se não conseguirá mante-la até o final, não me diga "até que a morte nos separe" se na primeira briga dá as costas e vai-se embora.
Aos soluços revejo nossas fotos, nossos momentos, nossos anos, foi tão bom. Que tipo de pessoa é você agora? Quem sou eu? Esse tempo ensina cada coisa e machuca-nos revelando certas verdades, derrubando algumas máscaras, nos torna pessoas melhores ou apenas passa. Minutos se vão, horas, dias, meses, anos se vão e as peças do quebra cabeça tendem a se encaixar. Você é uma peça e os tombos vão lhe moldando até todos lhe aceitarem ou desclassificarem, lhe qualificarem como impróprio para uso. O importante é viver, aprender com as dores, crescer, esquecer quem pediu para ser esquecido e tocar em frente. Pare de remar contra a maré, simplesmente siga seu coração e vá em frente, pessoas passam por você o tempo todo, algumas ficam, outras se vão e também há aquelas que de uma hora para outra voltam, essas são as melhores, as que mais tem assunto, as que mais tem lembranças e as que sabem o seu real valor, ou não voltariam.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O que é amor?

Não sabia o que era, não sabia descrever e nada, nem ninguém no mundo parecia ter a resposta para "O que é amor?". Um dia caminhava solitário, já se fazia noite, o céu estava extremamente estrelado, a rua iluminada pelo brilho da lua e eu vi que alguém vinha em minha direção, não sabia quem era ou para onde estava indo. O único óbvio era que nossos caminhos se cruzariam.
A distancia diminuiu e não podia acreditar, era um anjo vindo em minha direção, lindos olhos, cabelos soltos a altura dos cotovelos e um corpo de dar inveja a muita mulher, suspirei. Caminhava firme, passei por ela e lancei um "Boa noite", ela me sorriu e correspondeu com a mais cordial educação, me apaixonei. Até esse momento achava bobagem alguém falar sobre "amor a primeira vista" porém, entendi todos os conceitos ao ver aquele ser maravilhoso passar por mim, a única pena foi descobrir que ela, no outro dia, estaria de mudança para uma cidade do interior onde sua família reside.
Ainda fico a pensar naquele instante de troca de olhares antes de dormir, será que teria chances com ela? Não esqueço do sorriso, nem de seu jeito de menina que me envolveu, sinceramente, não me resisto mais, amor é bem melhor a dois e vou busca-la, tenho o nome de uma cidade e um mapa, me desejem sorte.


"O fantástico da vida é estar com alguém que sabe fazer de um pequeno instante um grande momento"

(autor desconhecido)